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Elaborado pelos presos da Cadeia Pública de Leopoldina - MG


Polícia de São Paulo mata mais civis

SÍLVIA CORRÊA ALESSANDRO SILVA
da Folha de S.Paulo-07/03/2002


A polícia paulista está matando mais. Em janeiro, 84 pessoas morreram em consequência de tiros disparados por civis e militares. O índice mensal é o maior dos últimos dois anos -o mais alto desde março de 2000.

É como se a cada quatro dias ocorresse uma ação como a executada contra o comboio do PCC (Primeiro Comando da Capital) anteontem, que deixou 12 mortos.

O aumento ocorre exatamente depois de ter vindo à tona a explosão dos casos de sequestro no Estado. Acontece no mês marcado pela caçada aos responsáveis por ações criminosas de repercussão, o cativeiro do publicitário Washington Olivetto e o assassinato do prefeito Celso Daniel.

"O afã de recuperar o prestígio pode ser mais um incentivo para que maus policiais cheguem à barbárie", afirma o coordenador da comissão de direitos humanos da OAB-SP, João José Sady.

Cobrado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) repetiu à exaustão uma frase: "Em São Paulo, bandido tem dois destinos: prisão ou caixão". A julgar pelos números, a polícia já entendeu.

Se aumentaram as mortes, aumentaram também as prisões. Em janeiro, foram 8.536 flagrantes e 454 foragidos recapturados. No mesmo mês de anos anteriores, os números foram 7.114 e 344 (em 2001) e 6.110 e 218 (em 2000).

Para a polícia, as mortes devem ser entendidas nesse contexto. São resultado de uma melhora. "A maior parte são casos de legítima defesa, revide", afirma o tenente coronel Renato Machado Perrenoud, porta-voz da PM.

Nos confrontos, porém, nove policiais morreram em janeiro. "Não é preciso que o mesmo número de policiais morra para que as ações sejam legítimas. A polícia está mais preparada, mais equipada, investiu em inteligência. Não ficamos mais a reboque. Isso leva a confrontos e mortes. E mais delas virão", diz o porta-voz.

Mas nem todos vêem nos números esse significado. "Os argumentos que a polícia habitualmente apresenta são de que ela está mais ativa, presente e corajosa. Mas esses números são muito preocupantes e não podem ser tratados como naturais, já que a criminalidade está em queda", diz o coronel José Vicente da Silva, do Instituto Fernand Braudel.

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