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Jornal Recomeço
Elaborado pelos presos da Cadeia Pública de Leopoldina - MG


EVANDRO LINS E SILVA
A voz da experiência

Luís Edmundo Araújo

Leandro Pimentel
Evando Lins e Silva
“Quer diminuir a violência? Proíba a fabricação de arma individual. O difícil é vencer o lobby das fábricas’’ Evandro Lins e Silva

O senhor continua contrário à pena de morte e à prisão perpétua?
Claro. São dois absurdos. O sujeito tem que viver com a esperança de ser libertado. Posso dizer que sou contra a prisão como método penal. Preso segregado só deve ser quem é perigoso porque pode pôr em risco a vida de outros. O crime contra a propriedade sem violência, não devia dar cadeia. A cadeia não recupera ninguém. Ao contrário, ela despersonaliza e estigmatiza o cidadão, que não pode mais trabalhar. Você tem de encontrar maneiras alternativas de manifestar a reprovação da sociedade contra um crime. Pode ser uma sanção, multa, exílio ou redução de direitos civis, dependendo do caso.

E qual seria a pena para quem comete crimes hediondos?
No caso de alguém que põe em risco a comunidade, a solução é segregar como um louco. Na década de 20, um sujeito chamado Febrônio estuprava e matava meninos na mata da Tijuca, no Rio. O juiz o condenou a permanecer num manicômio judiciário até que ficasse bom. Ele ficou preso durante mais de 40 anos.

O que achou dos indultos concedidos a Guilherme de Pádua e a Paula Thomaz, assassinos da atriz Daniella Perez?
Não vejo problema algum. Eles sofreram punições como deviam, a sociedade manifestou sua reprovação pelo crime. Agora eles já pagaram a dívida. Tem certas pessoas que praticam crimes impulsionadas por um sentimento que não é vil, a distorção da compreensão do amor que leva ao desespero. Cansei de dizer isso no júri. Defendi vários passionais e não tenho um só caso de reincidência entre eles. Nesse tipo de caso, o sujeito quando mata não se reconhece a si mesmo, está movido por uma explosão de ódio que o despersonaliza.

O deputado federal José Genoino, do PT, defendeu a volta da Rota às ruas de São Paulo. O que acha da idéia?
Sou absolutamente contrário a isso. É uma violência.

Qual a melhor maneira de combater o crescimento do crime organizado e o tráfico de drogas nas grandes cidades?
O fundamental é prevenir. Para acabar com o crime, você tem que governar melhor o País. Dar condições a um pai de mandar os filhos para a escola. A distribuição de renda está se tornando cada vez mais injusta. Há no Brasil de 40 milhões a 50 milhões de pessoas que não produzem nada. Hoje o MST está aí, um movimento social que é a continuação do Abolicionismo. Nabuco, Rui Barbosa e Silva Jardim já diziam que era indispensável a reforma agrária quando houvesse a abolição. Claro, porque para onde iriam os negros? Eles só deixaram de ser mercadoria, mas a desigualdade aumentou.

O senhor sugeriria alguma mudança no Código Penal brasileiro?
Quer diminuir a violência? Proíba a fabricação de arma individual. Só permita a requisição do governo para as Forças Armadas e polícias. A arma é o fator preponderante para a prática do crime mais grave, que é o de morte. O difícil é vencer o lobby das fábricas.

Qual foi o processo mais marcante em que atuou?
Procuro sempre dizer que é o próximo. Mas alguns foram curiosos, como quando defendi o cineasta Nelson Pereira dos Santos. O filme dele, Rio 40 Graus, tinha sido proibido pelo chefe de polícia, com o argumento de que denegria a imagem do País porque, segundo o chefe, nunca havia feito 40 graus no Rio. Consegui o mandado e o filme foi liberado.

 


Fonte: http://www.terra.com.br/istoegente/

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