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Jornal Recomeço
Elaborado pelos presos da Cadeia Pública de Leopoldina - MG


Jornal Recomeço: A Esperança no Papel
Beatriz Valle1

Encontrar um jornal bem produzido e gratuito não é tarefa difícil. Temos inúmeros casos de jornalistas que trabalham usando apenas o que é arrecadado com os patrocinadores para produzir seus veículos de qualidade singular. O que causou estranheza ao grupo foi encontrar um jornal feito com um objetivo maior do que o anunciar ou informar. Um jornal preocupado em resgatar a auto-estima perdida atrás das grades.

Depois de acessar um sem número de sites retratando a violência nos presídios, a corrupção da polícia, a sobrevida dos presos e a desesperança de todos em relação ao sistema carcerário brasileiro, encontramos uma página sem sangue.

O jornal Recomeço na Internet é bem produzido, atualizado e, essencialmente, real. Textos de juristas de renome nacional estão ao lado de poesias feitas na cela. Democracia é a palavra que tão bem resume o "jornal diferente feito com emoção". Encontrar a página de um jornal produzido por duas educadoras, um aponsentado, presos e seus familiares na internet foi como receber uma sentença. Se pessoas comuns e sem muitos recursos têm capacidade e boa vontade para estruturar um projeto jornalístico de qualidade, o que nós, futuros jornalistas que somos/seremos estamos esperando? Não precisamos de uma luz divina para nos mostrar o caminho do sucesso. Os editores do Recomeço encontram-no, semanalmente, nos rostos orgulhosos dos detentos-escritores.

No primeiro contato com o jornal, por e-mail, a surpresa: nossa mensagem foi para o site! Os moradores e os presos de Leopoldina, em Minas Gerais, ficaram sabendo de um grupo de estudantes universitários gaúchos dispostos a conhecer o projeto que tanto orgulha a cidade. Mal sabiam que orgulhosos ficamos nós pela atenção dispensada ao grupo. Orgulhosos e preocupados, é bem verdade. Uma cópia do nosso trabalho será enviado ao jornal para que todos saibam o quão importante (e único) é o que estão produzindo.

A Cadeia Pública de Leopoldina abriga 90 presos. O número é insignificante se comparado à Bangu I ou ao extinto Carandiru. A superlotação dos presídios e a lentidão da Justiça tornam o inferno gradeado pior. O tráfico de drogas, a falta de agentes penitenciários treinados e as condições de vida precárias dos confinados não são suficientes para abrir os olhos da mídia para a realidade desumana em que se encontram pelo menos 230 mil brasileiros. Presídios só se tornam notícia quando as rebeliões explodem, os colchões incendeiam e os policiais morrem. A sociedade assiste ao terror pela TV mas, não faz nada além de ir até a banca comprar jornais com mais detalhes da tragédia.

O primeiro editorial do Recomeço, em junho de 2001, falava em cidadania, direito a informação e a boa leitura. Que bom seria se todos os jornais brasileiros se preocupassem com isso.

1.Beatriz Valle Estudante de Jornalismo da UNISINOS - Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Porto Alegre-RS
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