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Jornal Recomeço
Elaborado pelos presos da Cadeia Pública de Leopoldina - MG


'Vejo um quadro miserável, triste, onde não há justiça'
            Relatora da ONU afirmou que Brasil nem sequer pode ser comparado a outros países.
ADRIANA CHIARINI

RIO - A relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) Asma Jahangir considera que o País está numa situação tão ruim por conta dos assassinatos cometidos por policiais que ela se recusou ontem a comparar o quadro no Brasil com o cenário internacional. "Acho que vocês não iam querer pôr o Brasil em comparação com outros países", disse. "No Congo é uma guerra. O Brasil é uma democracia. Mas vejo aqui um quadro miserável, triste, onde não há justiça. Há matança."

A declaração foi feita depois de a relatora ter passado mais de quatro horas em visita às favelas do Borel e do Jacarezinho, onde ouviu cerca de 20 depoimentos de mães e outros parentes de vítimas de comunidades pobres do Rio. "O número de vidas que foram ceifadas é muito grande. Foram três ou quatro em cada depoimento."

Após ouvir todos os depoimentos, Asma disse que a quantidade de pessoas que foi conversar com ela foi muito grande, considerando o medo que a situação provoca. Ela ouviu denúncias de que policiais promoveram ações de intimidação no Jacarezinho quando a visita foi divulgada. Segundo moradores, houve disparos em equipamentos da rádio comunitária para impedir a divulgação da visita.

Os moradores também tiveram de vencer o medo dos traficantes. "Pela primeira vez, pessoas de comunidades controladas por facções diferentes vieram se reunir em uma delas", comentou Lidiane Eluizete de Carvalho, da organização não-governamental Opção Brasil.

Emoção - Acostumada a ouvir esses relatos, ela pareceu se emocionar ao conversar com mães de pessoas assassinadas por policiais e ao se ver cercada por crianças. "Vocês estão entendendo por que essas mães estão chorando? Porque querem justiça e vocês, quando crescerem, vão lutar por justiça", disse às crianças.

Apesar das críticas que vem fazendo, Asma disse que tem uma visão positiva.

Ela acha que o governo brasileiro, com a ONU, está impulsionando o País para avançar nos direitos humanos e na erradicação ou redução das execuções. Ela afirmou também que o governo a estimulou a investigar o assunto e a escrever "um relatório realmente independente".

O deputado federal Chico Alencar (PT-RJ) contou que o governo considera a vinda dela "estratégica para o Brasil fazer parte do Conselho de Segurança da ONU".

Fonte: O Estado de São Paulo - 6/10/2003



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