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Jornal Recomeço
Elaborado com textos dos presos da Cadeia Pública de Leopoldina - MG

Número 80 de 22/11/2003

 
RÉQUIEM POR UM CONDENADO
Geir Campos  

Não é de hoje que se matam homens
Em nome da justiça, Caryl Chessman,
Das idiossincrasias dos verdugos:
houve tempo em que a morte era torneio
em circo de gladiadores
ou diversão na arena com leões,
e houve a morte na cruz, o empalamento,
a fogueira das Santa Inquisição,
a forca, o pelourinho, a guilhotina,
o muro emparelhando carabinas,
tiro simples na nuca, morte múltipla
em câmaras de gás, morte singela
numa cadeira elétrica
                                -  requintes
da guerra contra a vida em plena paz...
isso sem cogitar da morte escusa,
doméstica, abafada, sem jornais
-  do nadador trancado a pernoitar
no calabouço onde pernoita o mar,
do preso que se atira do sobrado
ao pétreo pátio adrede preparado...
São mortes
espetaculares umas,
veladas outras, planejadas todas;
e quanto mais se diz civilizada
a sociedade (com seus promotores
e os advogados e os legisladores
e os hermeneutas e as egrégias cortes
e as togas e as polícias e os carrascos)
tanto menos há de ostentar a morte
seu frio gume e sua boca de asco.
 
E assim foi, Caryl Chessman,
teu fim cercado de delicadezas,
com jantar à la carte e sobremesa,
palitos, guaradanapos, cafezinho,
tudo a amansar o morredor sozinho
em sua última noite social.
Manhã: tapete, padres, guardiães
solícitos, repórteres, visitas,
gente de longe a espiar pelos vidros
à prova de bala para te ver
encerrando tão brava resistência
nesse octógno verde onde se apura
o deus civil contra a própria criatura.
E que diplomacias, que cuidados
em te fazer partir de braços dados
com uma poltrona - vazia de sexo
como a sentença era falta de nexo.
Depois os
                limpos
                            grãos de cianureto
desenrolando em ácido os vapores
letais:
          nem disfarçaste os estertores
da carne tesa após 12 anos de incerteza.
 
O fim
          rápido, o forno crematório,
papel timbrado em seco relatório,
cinzas para a cidade onde nasceste,
desofícios de um credo que não leste...
 
E em
        todo o mundo
                              houve quem protestasse,
                                                   chorasse,
                                                   discutisse,
                                                   apedrejasse,
consulados em turbas exaltadas:
quantas dessas pessoas, entre tantas,
que a voz hoje levantam a apoiar-te,
cumpririam a sério a sua parte
na luta contra os erros consagrados
que te plasmaram entre os condenados
a essa e mais outras formas de vingança
de uma
           que se diz
                          civilização
incapaz de salvar uma criança?

 
Negado HC a delegado acusado de tortura
Os desembargadores entenderam que o decreto de prisão está suficientemente fundamentado, sendo necessária a manutenção da prisão para que a instrução criminal prossiga, anulando-se o possível potencial intimidativo dos acusados pelo Ministério Público..
Veja artigo

Seçao Literatura
No meu tempo de menino tínhamos pena dos pobres. Eles cabiam naquele lugarzinho menor, carentes de tudo, mas sem perder humanidade. Os meus filhos, hoje, têm medo dos pobres. A pobreza converteu-se num lugar monstruoso. Queremos que os pobres fiquem longe, fronteirados no seu território.
Veja o conto de Mia Couto
COM A PALAVRA O APENADO
O sistema penal está repleto de doutores. Muitos deles nunca entraram numa penitenciária e passam longe da periferia com medo de serem assaltados, mas são eles que decidem sobre a conduta social e sobre a personalidade dos habitantes desses locais, para onde se conserva apontada a mira do poder repressivo.
Veja artigo de Luís Carlos Valois
Pesquisa sobre o que pensa o brasileiro sobre a Justiça
O Conselho Federal da OAB divulgou dia 10/11 os resultados da pesquisa nacional de opinião pública sobre a Advocacia e o Judiciário. O planejamento da pesquisa foi feito pelo Instituto “Toledo & Associados.”
Os resultados revelam as opiniões e expectativas das populações das classes sócio-econômicas A, B, C e D, de 16 (dezesseis) capitais brasileiras, quanto à imagem do Poder Judiciário, incluindo a advocacia, promotoria e magistratura. Foram realizadas 1.700 entrevistas.

Veja artigo
DESOBEDIÊNCIA CIVIL?

Os princípios democráticos são vagos na consciência social, represada por fatores históricos de dominação e medo, falta de cultura e participação política ativa, de massa, exilada no governo, que nossa incipiente democracia quer cultivar em árida seara.

Veja artigo de Volnei B. de Carvalho
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