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Jornal Recomeço
Elaborado com textos dos presos da Cadeia Pública de Leopoldina - MG

Número 80 de 22/11/2003

 
MEMÓRIAS DO CÁRCERE (I)
Graciliano Ramos

“O mundo se tornava fascista.
Num mundo assim, que futuro nos reservariam?
Provavelmente não havia lugar para nós,
éramos fantasmas,
rolaríamos de cárcere em cárcere,
findaríamos num campo de concentração.
Nenhuma utilidade representávamos na ordem nova.
Se nos largassem,
vagaríamos tristes,
inofensivos e desocupados,
farrapos vivos,
fantasmas prematuros;
desejaríamos enlouquecer,
recolhermo-nos ao hospício
ou ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço
e dar o mergulho decisivo.
Essas idéias, repetidas, vexavam-me;
tanto me embrenhara nelas
que me sentia inteiramente perdido.”
 
Trecho do livro "MEMÓRIAS DO CÁRCERE " de  Graciliano Ramos
 

 
Graciliano, depois de 9 meses no cárcere, assim descreveu o sentir de um preso, Apesar de se passar na década de 30, o livro "Memórias do Cárcere" é atualíssimo. Em todas as épocas, a classe dominante tem encontrado formas de "prisão" para os seus dissidentes e excluídos. Faz-se erradamente uma diferença entre presos políticos e presos comuns. Todos são presos políticos, a diferença é que a prisão dos presos comuns é considerada "legal", dentro dos ditames da Justiça.
Fábio Konder Comparato disse em seu artigo "Ordem sem progresso" que "Toda a nossa história demonstra que é perfeitamente possível instituir as maiores injustiças num regime de superficial legalidade."
Quando homens são condenados e abandonados em celas superlotadas, sofrendo misérias, torturas e degradações, com o aval de grande parte da sociedade, é porque os componentes dessa parcela da sociedade se considera inatingível pela  Justiça. Sabem que a prisão não é para eles, mas sim depósito de indivíduos marginalizados.
A criminalidade tem suas raízes na confluência de uma série de fatos históricos.As cadeias estão cheias de "mulas", "gerentes de bocas" e desempregados-delinqüentes que cometeram pequenos delitos - meros dejetos  de uma ordem estabelecida -  e não de "bandidos perigosos" como é alardeado pela mídia, a serviço desse status quo no sistema penitenciário brasileiro.

 
Negado HC a delegado acusado de tortura
Os desembargadores entenderam que o decreto de prisão está suficientemente fundamentado, sendo necessária a manutenção da prisão para que a instrução criminal prossiga, anulando-se o possível potencial intimidativo dos acusados pelo Ministério Público..
Veja artigo

Seçao Literatura
No meu tempo de menino tínhamos pena dos pobres. Eles cabiam naquele lugarzinho menor, carentes de tudo, mas sem perder humanidade. Os meus filhos, hoje, têm medo dos pobres. A pobreza converteu-se num lugar monstruoso. Queremos que os pobres fiquem longe, fronteirados no seu território.
Veja o conto de Mia Couto
COM A PALAVRA O APENADO
O sistema penal está repleto de doutores. Muitos deles nunca entraram numa penitenciária e passam longe da periferia com medo de serem assaltados, mas são eles que decidem sobre a conduta social e sobre a personalidade dos habitantes desses locais, para onde se conserva apontada a mira do poder repressivo.
Veja artigo de Luís Carlos Valois
Pesquisa sobre o que pensa o brasileiro sobre a Justiça
O Conselho Federal da OAB divulgou dia 10/11 os resultados da pesquisa nacional de opinião pública sobre a Advocacia e o Judiciário. O planejamento da pesquisa foi feito pelo Instituto “Toledo & Associados.”
Os resultados revelam as opiniões e expectativas das populações das classes sócio-econômicas A, B, C e D, de 16 (dezesseis) capitais brasileiras, quanto à imagem do Poder Judiciário, incluindo a advocacia, promotoria e magistratura. Foram realizadas 1.700 entrevistas.

Veja artigo
DESOBEDIÊNCIA CIVIL?

Os princípios democráticos são vagos na consciência social, represada por fatores históricos de dominação e medo, falta de cultura e participação política ativa, de massa, exilada no governo, que nossa incipiente democracia quer cultivar em árida seara.

Veja artigo de Volnei B. de Carvalho
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